Ferrari esquenta o clima: Hamilton lidera dobradinha enquanto a batida de Colapinto interrompe a segunda sessão de sexta
O 1:18.729 de Lewis Hamilton superou Charles Leclerc numa dobradinha dominante da Ferrari sob o sol de Budapeste, numa hora interrompida pelo encontro de ré de Franco Colapinto com as barreiras da última curva — e sem Lance Stroll, cuja Aston Martin atualizada nunca saiu da garagem.
Se o primeiro treino foi a declaração de intenções da Ferrari, o segundo foi o sublinhado. Lewis Hamilton liderou a sessão de sexta à noite no Hungaroring com 1:18.729, um décimo e meio à frente do companheiro Charles Leclerc, com a McLaren de Lando Norris como a melhor do resto, meio segundo atrás. Ao redor deles, a hora ofereceu um pouco de tudo: uma bandeira vermelha pela batida de Franco Colapinto na última curva, um sumiço da combalida Aston Martin de Lance Stroll, um Kimi Antonelli estranhamente discreto e escaramuças tardias com ritmo de corrida que sugerem que o domingo pode não ser a procissão que a reputação desta pista ameaça. Veja tudo o que aconteceu na parte mais representativa do dia.
A classificação completa
A referência de Hamilton veio na segunda simulação com pneus macios e resistiu a tudo. Norris em terceiro confirmou a recuperação discreta da McLaren depois de uma manhã anônima, enquanto Max Verstappen, quarto e a quase sete décimos, passou boa parte da sessão lutando com o equilíbrio da Red Bull e com a própria posição de pilotagem. Vinte e um pilotos marcaram tempo; Stroll não saiu.
| Pos | Piloto | Equipe | Tempo / Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 | Lewis Hamilton | Ferrari | 1:18.729 |
| 2 | Charles Leclerc | Ferrari | +0.148 |
| 3 | Lando Norris | McLaren | +0.499 |
| 4 | Max Verstappen | Red Bull | +0.692 |
| 5 | George Russell | Mercedes | +0.933 |
| 6 | Isack Hadjar | Red Bull | +1.071 |
| 7 | Liam Lawson | Racing Bulls | +1.312 |
| 8 | Oscar Piastri | McLaren | +1.372 |
| 9 | Nico Hülkenberg | Audi | +1.396 |
| 10 | Arvid Lindblad | Racing Bulls | +1.524 |
| 11 | Gabriel Bortoleto | Audi | +1.745 |
| 12 | Esteban Ocon | Haas | +1.828 |
| 13 | Kimi Antonelli | Mercedes | +1.964 |
| 14 | Pierre Gasly | Alpine | +2.087 |
| 15 | Oliver Bearman | Haas | +2.221 |
| 16 | Alex Albon | Williams | +2.244 |
| 17 | Carlos Sainz | Williams | +2.697 |
| 18 | Valtteri Bottas | Cadillac | +2.713 |
| 19 | Fernando Alonso | Aston Martin | +2.990 |
| 20 | Sergio Pérez | Cadillac | +3.063 |
| 21 | Franco Colapinto | Alpine | +3.802 |
| 22 | Lance Stroll | Aston Martin | Sem tempo |
A batida de Colapinto e a bandeira vermelha
A única interrupção da sessão chegou justo quando as simulações de classificação com macios atingiam o pico. Colapinto perdeu a traseira da sua Alpine na última curva, rodou e deslizou de ré para as barreiras — provocando a bandeira vermelha e encerrando a tarde com apenas 11 voltas no placar. O argentino saiu ileso, mas a Alpine tem uma longa noite de reparos pela frente, e ele perdeu os dados de long run que todos os outros garantiram.
O momento foi cruel para outros também. Norris estava cerca de dois décimos acima da sua melhor volta quando as bandeiras apareceram, enquanto Gasly e Piastri também tiveram de abandonar suas tentativas com macios. Quando a pista ficou verde cerca de seis minutos depois, o pelotão foi direto para o modo de simulação de corrida — o que significa que várias diferenças de sexta favorecem ou punem pilotos cuja única chance limpa de uma volta lançada nunca veio.
A Ferrari está falando sério — e a Mercedes sabe
Há um número pairando sobre este fim de semana que explica o peso do dia da Ferrari: a Mercedes fez a pole position nas dez corridas da temporada até agora. Num circuito que neutraliza a vantagem de potência das Flechas de Prata, essa sequência nunca pareceu tão frágil. Leclerc foi o mais rápido pela manhã; Hamilton foi o mais rápido à tarde; e o ritmo de long run da dupla na fase final pareceu tão composto quanto a velocidade em uma volta. O susto matinal da Scuderia — a parada tardia de Leclerc na entrada dos boxes — mostrou-se uma nota de rodapé, não um aviso.
O dia da Mercedes, por contraste, foi um estudo em desconforto. Russell, quinto, disse pelo rádio logo cedo que o carro estava “horrível” e desequilibrado, e ficou a quase um segundo da frente. A tarde de Antonelli foi ainda mais desorganizada: uma enorme trava de roda na Curva 2, uma escapada em zigue-zague na chicane das Curvas 6-7 e um relato de que quase rodou duas vezes — embora o 13º lugar do líder do campeonato venha com asterisco. Sua única tentativa com macios foi abortada por causa da bandeira vermelha, e seu programa foi fortemente voltado para a corrida de domingo com pneus médios. Ninguém em Brackley vai entrar em pânico por uma tabela de sexta — mas ninguém ali esperava passar uma olhando para uma dobradinha da Ferrari lá em cima.
A noite agitada de Verstappen — e um alívio
A sessão de Verstappen nunca foi tranquila. Ele reclamou que a posição de pilotagem o deixava reclinado demais, resmungou sobre travamento traseiro, relatou um problema na asa dianteira pelo rádio — e mesmo assim terminou a noite no meio da diversão, mergulhando por dentro de Hamilton na Curva 1 durante as simulações de corrida numa troca divertida que também viu Leclerc contornar Russell na Curva 2. Ultrapassar, ao que parece, não é totalmente proibido aqui.
O holandês também recebeu a melhor notícia do dia longe do cockpit: os comissários decidiram não tomar nenhuma medida sobre a suposta direção errática que pairava sobre ele desde o primeiro treino. Quarto na tabela, sete décimos atrás e livre de punição — a noite da Red Bull poderia ter sido bem pior.
Aston Martin: da bandeira vermelha ao sumiço
A trama mais cruel do dia foi da Aston Martin. Stroll, cujo AMR26B sofreu uma suspeita de falha na suspensão traseira pela manhã, foi excluído da segunda sessão por completo — o dano não pôde ser reparado a tempo, e a equipe vai trazer peças de avião para salvar o restante do fim de semana. O carro vendido como a aposta decisiva da temporada da equipe completou até agora 11 voltas, em sua maioria de instalação, e partiu corações duas vezes.
Alonso ao menos ofereceu uma centelha de ânimo no outro carro, chegando a andar em 14º antes de uma volta deletada por limites de pista mandá-lo para trás; terminou em 19º, mas a menos de três segundos de Hamilton — margem que, pelos sombrios padrões da equipe em 2026, conta como progresso.
O meio do pelotão aperta
Atrás do quarteto da frente, a briga pelo Q3 parece feroz. Hadjar se recuperou de um momento inicial na linha de chegada e ficou em sexto, enquanto a Racing Bulls colocou os dois carros entre os dez primeiros — Lawson em sétimo, Lindblad em décimo — para manter o nariz à frente na disputa pelo sexto lugar no Mundial de Construtores. A consistência da Audi continuou, com Hülkenberg em nono e Bortoleto em 11º, e o 12º lugar de Ocon o deixou como o mais satisfeito dos pilotos da Haas num dia em que Bearman só conseguiu o 15º.
O dia difícil da Williams aprofundou a sensação de uma equipe fora de si neste circuito: Albon, quicando na chicane do segundo setor, foi 16º, com Sainz em 17º. A dupla da Cadillac ladeou as Aston Martins, Bottas — brevemente beneficiado por um útil vácuo da Mercedes — em 18º à frente de Pérez, enquanto o 14º lugar de Gasly veio com uma mensagem de rádio alarmante sobre um carro que parecia “extremamente ruim… como se estivesse quebrado na Curva 12”.
TL2 num relance
- 1:18.729 — a referência de Hamilton na segunda simulação com macios; Leclerc 0.148s atrás
- Ferrari lidera as duas sessões do dia — a sequência de dez poles em dez da Mercedes sob ameaça real
- Bandeira vermelha — Colapinto roda de ré nas barreiras da última curva; sexta da Alpine comprometida
- Stroll fora — dano na suspensão do AMR26B pela manhã, sem reparo possível no mesmo dia
- Verstappen P4 e nenhuma medida adicional na investigação de direção errática do TL1
- Antonelli 13º — simulação com macios abortada, programa focado na corrida, dois quase-rodopios
- Ritmo de corrida — degradação alta o suficiente para colocar uma estratégia de duas paradas na mesa para domingo; pneus traseiros sob estresse nas zonas de tração
O que vem a seguir
O último treino livre é no sábado às 12:30 locais, antes da classificação às 16:00 — a sessão que dirá se a Ferrari pode acabar com o recorde perfeito de poles da Mercedes — e o Grande Prêmio de domingo começa às 15:00. Veja a programação pelo mundo (horários de início das sessões; Budapeste tem o mesmo fuso de Paris):
| Sessão | Budapeste (local) | Londres | Nova York | Cidade do México | Pequim | Tóquio |
|---|---|---|---|---|---|---|
| TL3 — sáb. | 12:30 | 11:30 | 06:30 | 04:30 | 18:30 | 19:30 |
| Classificação — sáb. | 16:00 | 15:00 | 10:00 | 08:00 | 22:00 | 23:00 |
| Corrida — dom. | 15:00 | 14:00 | 09:00 | 07:00 | 21:00 | 22:00 |
A sexta começou com Leclerc no topo e terminou com Hamilton no topo. No meio, uma Aston Martin quebrada, uma Alpine batida, uma Mercedes em busca de equilíbrio e um campeão em vias de se confirmar acumulando discretamente dados de corrida. Budapeste armou a armadilha com maestria: a Ferrari parece a mais rápida, mas a única sessão que importa aqui é a que decide quem larga na frente numa pista onde ultrapassar é boato. O sábado não pode chegar logo o bastante.
Fontes
- F1i — Resultados do Treino Livre 2 do Grande Prêmio da Hungria de 2026
- Motorsport.com — Comentários e atualizações ao vivo do TL2 do GP da Hungria
- Turbo — GP da Hungria: a classificação do Treino Livre 2, Hamilton assume a liderança
- RacingNews365 — GP da Hungria: Stroll fora do TL2, Verstappen escapa de punição
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