Grande Prêmio da Hungria · Treino Livre 1

Leclerc mais rápido, depois parado: Ferrari impõe o ritmo inicial numa sexta agitada em Budapeste

Charles Leclerc liderou a hora inicial no Hungaroring com 1:19.075, meio segundo à frente de Max Verstappen — mas uma parada tardia na entrada dos boxes, uma bandeira vermelha pela Aston Martin atualizada de Lance Stroll e uma investigação dos comissários fizeram a declaração da Ferrari vir com ressalvas.

Numa tarde empoeirada e ventosa no Hungaroring, a Ferrari fez exatamente o que os sussurros do paddock na quinta diziam que poderia fazer: foi a mais rápida. O 1:19.075 de Charles Leclerc no circuito de 4.381 km (2.722 milhas) o colocou 0.484 segundo à frente de Max Verstappen no topo da tabela, com Lewis Hamilton fazendo dois carros vermelhos entre os três primeiros, meio décimo mais atrás. Ainda assim, a hora que anunciou a Ferrari como a equipe a ser batida neste fim de semana terminou com seu piloto mais rápido parando na entrada dos boxes, com algo quebrado sob ele — uma abertura apropriadamente contraditória para um fim de semana que promete calor, perigo e pouquíssima margem de erro.

A tabela de tempos num relance

Leclerc assumiu o controle da sessão por volta da metade e nunca o largou. Atrás de Verstappen e Hamilton veio Isack Hadjar na outra Red Bull, à frente da Mercedes de George Russell — o britânico tendo liderado brevemente a ordem no início da hora — e de Gabriel Bortoleto, cujo sexto lugar reforçou o início discretamente animador da Audi no fim de semana.

PosPilotoEquipeTempo / Diferença
1Charles LeclercFerrari1:19.075
2Max VerstappenRed Bull+0.484
3Lewis HamiltonFerrari+0.543
4Isack HadjarRed Bull—
5George RussellMercedes—
6Gabriel BortoletoAudi—
7Frederik VestiMercedes—
8Nico HülkenbergAudi—
9Arvid LindbladRacing Bulls—
10Liam LawsonRacing Bulls—

Para efeito de comparação: a referência de Lando Norris nesta sessão doze meses atrás foi 1:16.052. O melhor tempo de Leclerc foi mais de três segundos mais lento — a primeira ilustração sem retoques, num circuito de carga aerodinâmica, de quanto ritmo os carros da nova geração de 2026 perderam.

Mais rápido, depois parado na entrada dos boxes

A imagem que definiu a sessão veio nos minutos finais. Leclerc, depois de relatar pelo rádio que algo havia quebrado na Ferrari, diminuiu e parou na entrada dos boxes, de onde o carro foi levado de volta à garagem. Custou-lhe pouco na tabela — seu tempo estava garantido havia muito — mas plantou a primeira semente de dúvida num fim de semana em que a confiabilidade da Ferrari será examinada tão de perto quanto sua velocidade.

A hora de Hamilton foi complicada à sua maneira. O heptacampeão, recordista com oito vitórias neste circuito, relatou que “o carro parece bem ruim”, reclamando que a rigidez de rolagem estava alta demais para confiar ao se inclinar — mas ainda assim terminou a sessão a seis décimos do companheiro. A Ferrari também usou a hora para experimentar, com o carro de Hamilton rodando com a aleta atuadora da equipe em combinação com a chamada asa traseira “Macarena”, enquanto a Scuderia avaliava opções para o restante do fim de semana.

Bandeira vermelha na grande estreia da Aston Martin

Havia um carro que todo o paddock queria ver, e ele passou parte da sessão sendo recolhido. Lance Stroll provocou a bandeira vermelha quando sua Aston Martin AMR26B — o chassi amplamente revisado que representa a aposta decisiva da temporada da equipe — parou com o que a equipe suspeita ser uma falha na traseira do carro. Para um projeto esperado há anos, foi a pior primeira impressão imaginável.

O detalhe atenuante: o 1:21.550 de Fernando Alonso no carro irmão foi visto dentro do grupo como uma primeira leitura animadora, dada a base baixa da equipe e a indiferença do circuito à potência. Mas o trabalho de correlação que o diretor técnico de pista Mike Krack alertou que levaria tempo perdeu minutos preciosos, e a segunda sessão de sexta tem agora o dobro do peso que tinha esta manhã.

Verstappen rápido, mas sob investigação

A tarde de Verstappen foi, como de costume, agitada. O holandês foi o único piloto a chegar a meio segundo de Leclerc, apesar de reclamações pelo rádio de reduções ásperas e de um eixo dianteiro que não assentava — mas termina a sessão com uma convocação pairando sobre ele. Tanto Verstappen quanto Carlos Sainz foram notificados por suposta direção errática após um incidente entre os dois, e os comissários investigam.

Sainz, por sua vez, fechou a ordem depois de uma hora miserável: uma saída antecipada na Curva 1 em meio a uma nuvem de fumaça de pneu, um rádio desconectado por um cabo solto e voltas abortadas o deixaram com o tempo mais lento da sessão.

Os substitutos e os retardatários

Com o líder do campeonato Kimi Antonelli fora da sessão, o reserva da Mercedes Frederik Vesti aproveitou a oportunidade, ficando em sétimo — logo atrás de Bortoleto — com um programa limpo e sem brilho que culminou numa simulação com macios. A McLaren, esperada entre as protagonistas, manteve um perfil curiosamente baixo: Norris foi apenas 11º, com a equipe gastando boa parte da hora em avaliação aerodinâmica, com tinta de fluxo visível na traseira do assoalho, enquanto a saída de Leonardo Fornaroli no outro carro rendeu o 16º lugar e duas travas de roda chamativas na Curva 1.

O novato italiano estava longe de ser o único a sofrer. Um vento em rajadas e uma película de poeira tornaram traiçoeiras as áreas fora da linha ideal, e a área de escape da Curva 1 teve tráfego constante a hora toda — Alex Albon entre os que cravaram um jogo de pneus na zona de frenagem. Hülkenberg, oitavo, e a dupla da Racing Bulls, Lindblad e Lawson, completaram um top 10 que, como sempre numa sexta, conta apenas metade da história.

TL1 num relance

  • 1:19.075 — a referência de Leclerc, 0.484s à frente de Verstappen
  • Ferrari 1–3, com Hamilton meio décimo atrás da Red Bull
  • Bandeira vermelha — Aston Martin atualizada de Stroll para com suspeita de falha traseira
  • Drama no fim — Leclerc para na entrada dos boxes nos minutos finais, relatando algo quebrado
  • Sob investigação — Verstappen e Sainz notificados por suposta direção errática
  • Substituto brilha — Vesti P7 na Mercedes de Antonelli; McLaren discreta em P11
  • Condições — quente, empoeirado e ventoso; a Curva 1 fez vítimas a hora toda

O que vem a seguir

O pelotão volta à pista para o segundo treino às 17:00 locais — a sessão que revelará se o ritmo da Ferrari sobrevive a uma carga de combustível e se a Aston Martin consegue salvar seu fim de semana. Veja como o restante do fim de semana se distribui pelo mundo (horários de início das sessões; Budapeste tem o mesmo fuso de Paris):

SessãoBudapeste (local)LondresNova YorkCidade do MéxicoPequimTóquio
TL2 — sex.17:0016:0011:0009:0023:0000:00 (sáb.)
TL3 — sáb.12:3011:3006:3004:3018:3019:30
Classificação — sáb.16:0015:0010:0008:0022:0023:00
Corrida — dom.15:0014:0009:0007:0021:0022:00

Se a hora inicial nos ensinou alguma coisa, é que o final de verão de Budapeste não vai esperar ninguém encontrar o ritmo. A Ferrari tem o ritmo. Se tem a durabilidade — e se mais alguém consegue encontrar o seu — começa a se responder às 17:00.


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